14 de abril de 2011

Indústria perde com encargo de 102% sobre energia, diz Gerdau


BRASÍLIA – O presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau, disse hoje que a indústria brasileira paga 102% a mais pela compra de energia em razão do excesso de encargos criados no setor elétrico. Ele considera que o alto custo da energia para o setor produtivo tem sacrificado o ganho de competitividade da indústria brasileira.


“A energia é a atividade que tem a maior incidência de tributos e encargos não compensáveis na cadeia produtiva”, afirmou Gerdau durante o II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia, organizado pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). Ele disse ainda que a valorização do real frente ao dólar tende a "acentuar de forma absoluta" o processo de perda de competitividade.


Durante apresentação, o executivo ressaltou que existem atualmente cerca de dez encargos setoriais que incidem sobre o preço final da energia. Ele informou que o preço da energia para a indústria foi elevado do patamar de R$ 82 por megawatt-hora (MWh), em 2001, para o custo atual estimado acima de R$ 220 por MWh. “É loucura construir no sistema energético destruindo a competitividade do (setor) eletrointensivo no Brasil”, enfatizou Gerdau ao comparar a elevação do preço da energia e às variações do IGP-M e IPCA últimos 10 anos.


Segundo ele, o preço da energia aumento cerca de 60% na comparação aos países da América do Norte. Gerdau abriu sua apresentação afirmando que o Brasil tem uma “vocação absolutamente única” no campo energético, pois dispõe de alta capacidade de produção de energia elétrica a baixo custo. No entanto, o empresário afirmou que o país não aproveita esta oportunidade para se tornar competitivo e, aliás, se tornou um “exportador de impostos”.


Gerdau considera que, além de a indústria ser prejudicada pelos impostos, a população não é esclarecida sobre quantidade de impostos embutidos nos produtos consumidos, por falta de transparência do sistema tributário brasileiro. “Não estamos pedindo um favor, estamos pedindo a correção desta loucura que foi construída”, disse ao encerrar sua apresentação no evento. (Rafael Bitencourt /Valor)

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