28 de abril de 2011

Preços ameaçam competitividade

O preço da energia elétrica começa a fazer com que empresas avaliem investimentos produtivos em outros países. Fabricantes de alumínio estudam oportunidades no Paraguai e Trinidad e Tobago e produtoras de soda-cloro enxergam custos mais baixos na América do Norte. Também aumentam as importações de vidro, aço, PVC em um momento de câmbio valorizado e crescente presença chinesa. Um cenário que ameaça a indústria nacional. "Em um primeiro momento, há dificuldade para vender uma folha de alumínio a uma montadora. Em um segundo momento, importa-se toda a junta para a montadora no Brasil. Em um terceiro, traz-se o carro pronto. O efeito vai se prolongando ao longo do tempo", afirma Paulo Pedrosa, presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace).

Estudo da FGV mostra o impacto do custo da energia elétrica na competitividade das empresas. Entre 2009 e 2020, o relatório aponta que o Brasil deve ter um crescimento vigoroso, de 4,99% ao ano, por conta da ascensão social, realização da Copa de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 e a exploração do pré-sal. Mas o país poderia crescer mais e seus produtos serem mais competitivos com um preço de energia mais barato. Se houvesse redução de encargos e tributos e preços de energia elétrica e gás natural, em vez de crescimento de 4,99% ao ano até 2020, o PIB do Brasil poderia se expandir a 6,18% anuais - 1,2 ponto percentual a mais que o cenário de preços mais elevados. Haveria um acréscimo de R$ 695 bilhões ao PIB em 2020.

Segundo a FGV, caso nada seja feito, entre 2009 e 2020, a tarifa média paga pela indústria deve aumentar 22,7%, sendo que o preço pago pelos setores mais eletrointensivos deve subir 31,2%. Um dos grandes vilões do segmento é a carga tributária que incide sobre a energia. "Metade da conta de luz é de encargos, tributos e subsídios", afirma Pedrosa, da Abrace. Hoje, cerca de dez encargos incidem sobre o preço da energia. Em alguns setores eletrointensivos, o preço da energia para a indústria foi elevado do patamar de R$ 82 por MWh, em 2001, para o custo atual estimado acima de R$ 220.
Em 30 de dezembro, a Reserva Global de Reversão (RGR), encargo que deveria ter sido extinto no fim de 2010, foi prorrogado até 2035. Criado em 1957, para cobrir custos de eventuais reversões de concessões do setor elétrico, o encargo corresponde a 1,27% da tarifa de energia. Criado em 1973, a Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis (CCC) foi instituída para o financiamento de custos com a geração de energia à base de combustíveis fósseis, principalmente nos sistemas isolados situados basicamente na região Norte.

Nos últimos anos, linhas de transmissão estão sendo construídas permitindo a interligação entre a região e o resto do país, mas o encargo não está com seus dias contados: só irá expirar em 2022. Estima-se que este ano sua arrecadação atinja até R$ 5 bilhões. No início do ano, foi aprovada uma nova fórmula de cálculo da CCC. Pelas novas regras, as distribuidoras de energia dos chamados sistemas isolados poderão ser ressarcidas não só pelos gastos com a compra de combustíveis - usados para gerar eletricidade -, mas também de outras despesas, como investimentos e impostos. A medida garante que o reembolso vale durante o prazo de vigência dos contratos de compra de energia. O que significa que, mesmo que a região Norte seja interligada ao sistema nacional, todos os consumidores terão que bancar os custos de manutenção das termoelétricas até o fim dos contratos.

Os custos elevados com a aquisição de energia estão afetando alguns setores, como os fabricantes de alumínio. Levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) aponta que entre 2010 e 2015 a produção de alumínio deve crescer apenas 10% para 1,7 milhão de toneladas, enquanto o minério de ferro deve dobrar sua produção. "A energia cara é um obstáculo para o segmento de alumínio", diz Paulo Camillo Vargas Penna, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Além do peso de impostos e encargos sobre os preços da energia, as indústrias têm receio em relação ao gás natural. O gás oriundo da Bolívia chega ao Brasil a US$ 7,8 por milhão de BTU, enquanto o produzido no país custa US$ 10,8 por milhão de BTU. Valores elevados na comparação internacional. No Oriente Médio, o gás é comercializado a US$ 1 por milhão de BTU.


Fonte: Valor Econômico

14 de abril de 2011

Indústria perde com encargo de 102% sobre energia, diz Gerdau


BRASÍLIA – O presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau, disse hoje que a indústria brasileira paga 102% a mais pela compra de energia em razão do excesso de encargos criados no setor elétrico. Ele considera que o alto custo da energia para o setor produtivo tem sacrificado o ganho de competitividade da indústria brasileira.


“A energia é a atividade que tem a maior incidência de tributos e encargos não compensáveis na cadeia produtiva”, afirmou Gerdau durante o II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia, organizado pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). Ele disse ainda que a valorização do real frente ao dólar tende a "acentuar de forma absoluta" o processo de perda de competitividade.


Durante apresentação, o executivo ressaltou que existem atualmente cerca de dez encargos setoriais que incidem sobre o preço final da energia. Ele informou que o preço da energia para a indústria foi elevado do patamar de R$ 82 por megawatt-hora (MWh), em 2001, para o custo atual estimado acima de R$ 220 por MWh. “É loucura construir no sistema energético destruindo a competitividade do (setor) eletrointensivo no Brasil”, enfatizou Gerdau ao comparar a elevação do preço da energia e às variações do IGP-M e IPCA últimos 10 anos.


Segundo ele, o preço da energia aumento cerca de 60% na comparação aos países da América do Norte. Gerdau abriu sua apresentação afirmando que o Brasil tem uma “vocação absolutamente única” no campo energético, pois dispõe de alta capacidade de produção de energia elétrica a baixo custo. No entanto, o empresário afirmou que o país não aproveita esta oportunidade para se tornar competitivo e, aliás, se tornou um “exportador de impostos”.


Gerdau considera que, além de a indústria ser prejudicada pelos impostos, a população não é esclarecida sobre quantidade de impostos embutidos nos produtos consumidos, por falta de transparência do sistema tributário brasileiro. “Não estamos pedindo um favor, estamos pedindo a correção desta loucura que foi construída”, disse ao encerrar sua apresentação no evento. (Rafael Bitencourt /Valor)

13 de abril de 2011

Competitividade é a saída para importações agressivas, avalia Abrace

Alto custo da energia tornou-se um fator inibidor de investimentos e de desenvolvimento do setor industrial brasileiro

Danilo Oliveira, da Agência CanalEnergia, de Brasília


A busca pela competitividade pode ser a solução para que o setor produtivo consiga defender-se das importações agressivas. A proposta foi levantada pelo vice-presidente do conselho diretor da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, Eduardo Spalding.


Na visão do executivo, o alto custo da energia tornou-se um fator inibidor de investimentos e de desenvolvimento do setor industrial brasileiro. Segundo ele, a retomada da competitividade na economia passa por uma menor carga tributária e pela renovação de concessões do setor elétrico, que podem representar redução nas tarifas e encargos. "A única defesa contra importações agressivas é o desenvolvimento da nossa própria competitividade (...) A restauração da competitividade é algo menos complexo que a intervenção no câmbio e nos juros", analisou Spalding, que participou do II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia (Enerlivre).


O executivo destacou que tanto o segmento industrial quanto diversos setores enfrentam nos últimos anos uma "escalada vertiginosa das tarifas", que elevaram o custo da energia. A Abrace estima um aumento médio de 20% nas tarifas até 2020, podendo chegar a 30% no setor industrial. "Se nada for feito, esse problema agravará nossa situação", observou. Atualmente, segundo o executivo, os encargos setoriais pesam 30% sobre as tarifas do segmento industrial. Spalding lembrou que boa parte dos atuais encargos foram criados a partir de 1996.


"Na medida em que os encargios aumentam, estão contribuindo para a queda de renda, empregos e produção das empresas". Spalding citou as prorrogações da Reserva Global de Reversão e dos prazos do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia como sinais de iniciativas que estão desalinhadas com o aumento da competitividade. Além disso, ele ressaltou que a renovação de concessões deve impactar positivamente nas tarifas, visto que os consumidores já teriam pago nos últimos anos pelos atuais ativos de geração e transmissão

Ministro Moreira Franco diz que não acredita em grande reforma tributária no país

Postura para a redução de tributos, inclusive os que impactam nas tarifas de energia, deve ser de mobilização das entidades do setor de forma a deixar claras e objetivas as reivindicações, afirmou


O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Moreira Franco, afirmou nesta quarta-feira, 13 de abril, que não acredita em uma grande reforma tributária no Brasil. Para o ministro, a postura para a redução de tributos, inclusive os que impactam nas tarifas de energia, deve ser de mobilização das entidades do setor de forma a deixar claras e objetivas as reivindicações. Ele disse ainda que os encargos atuais não foram criados por meio de reformas, e sim de intervenções. "Não acredito no sucesso de uma reforma. Não temos nenhuma experiência bem sucedida de reforma (...) Não acredito na estratégia do grande esforço. Acho que deve ser tomada numa estratégia micro, de mobilização", disse o ministro, que participou de painel no segundo dia do II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia (Enerlivre).


O presidente da Gerdau, Jorge Gerdau Johanpeter, enfatizou que os consumidores eletrointensivos pagam cerca de três vezes a média do consumo industrial no Brasil. Segundo o executivo, o custo da energia no Brasil disparou nos últimos anos, ao contrário dos Estados Unidos, Canadá e Peru, que desde 2005 vem mantendo praticamente os mesmos patamares de custos do insumo. Gerdau disse ainda que o custo da energia no Brasil é 60% maior do que a praticada na América do Norte. Ao fim do painel, ele destacou que o setor possui consciência da problemática que impacta nas tarifas de energia. Ele resumiu em uma frase a principal questão, segundo sua avaliação: "tem um grande tema a ser debatido: a competência política".


Danilo Oliveira, da Agência CanalEnergia, de Brasília


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12 de abril de 2011

Incentivo ao gás natural adicionaria R$ 155 bi ao PIB

Estudo mostra os efeitos que um melhor sistema de preços traria ao país até 2020, com reflexo nas taxas de emprego, renda e arrecadação.


O aumento da participação do gás natural na matriz energética brasileira poderia agregar R$ 155 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) até 2020—caso as condições de comercialização do insumo fossem aperfeiçoadas. Na prática esse acréscimo seria como se o país ganhasse um PIB paranaense a mais, a quinta maior economia entre os estados.


Essa é a principal conclusão do Projeto Energia Competitiva (PEC), feito a pedido da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace). A pesquisa, cedida com exclusividade ao Brasil Econômico, será divulgada hoje durante o Encontro de Negócios entre os Agentes de Mercado de Livre de Contratação de Energia (Enerlivre).


O estudo foi conduzido pela FGV Projetos, Andrade & Canellas e consultorias acadêmicas, e levou em consideração os ganhos em eficiência no consumo de energia e na produção industrial, caso o gás natural fosse adotado em larga escala. “Os estudos comprovam que sob o ponto de vista do país, as mudanças teriam um resultado extraordinário, com um fator de multiplicação de oito vezes em relação ao custo da energia e o PIB”, diz Paulo Pedrosa, presidente da Abrace.


A principal mudança necessária para que essa ampliação de mercado ocorra é o aperfeiçoamento do sistema de preço. Atualmente, o gás é precificado a partir de uma cesta de óleos cotados em dólar acrescida de uma parcela de transporte fixada em reais e corrigida anualmente pelo IGP-M. Somada aos impostos e à margem das distribuidoras, essa fórmula implica em preço final equivalente ao dobro do praticado no mercado internacional — entre US$ 9 e US$ 11 o milhão de BTU.


O projeto propõe que esses preços passem a ter como referência os valores praticados no mercado internacional, a partir de 2013, quando começam os vencimentos dos contratos atuais de fornecimento da Petrobras comas distribuidoras. O estudo sugere que a parcela de transporte sobre os custos totais seja baseada em valores cobrados em2007 e 2008, além da revisão do preço da distribuição para que passe a ter como referência valores internacionais. E sugere que a alíquota do PIS e Cofins seja de 3,65% em regime não cumulativo.


Nesse cenário, a pesquisa estima que seriam criados 800 mil novos empregos até o fim da década. A renda per capita seria beneficiada e passaria dos previstos R$ 25,9 mil para R$ 29,3 mil. Como reflexo desse crescimento, a arrecadação do governo cresceria R$ 52,4 bilhões. “A redução dos encargos, apesar de sugerir perda de arrecadação no primeiro momento, terá efeito positivo no crescimento da economia que se reverte como um investimento”, afirma Pedrosa.


O aproveitamento do potencial do gás natural tende a ganhar mais importância à medida que as grandes reservas do pré-sal comecem a entrar em produção. De acordo com estimativa da consultoria Gas Energy, a disponibilidade de gás natural no mercado interno — atualmente em cerca de 90 milhões de metros cúbicos por dia — deve passar para um volume de cerca de 180 a 200 milhões de metros cúbicos por dia em 2020.


Além da redução dos preços, o mercado nacional também sofre com a pequena oferta de contratos de longo prazo. Isso gera inseguranças para a realização de novos investimentos e para conversão de equipamentos por parte das indústrias para que possam usar mais o gás natural.


Preço alto impede maior expansão


Valor cobrado no Brasil é quase duas vezes maior que a cotação no mercado americano.


O preço do gás natural no Brasil só perde para o praticado no Chile entre os países do continente americano, segundo o Projeto Energia Competitiva (PEC), que estudou os efeitos benéficos da expansão do consumo de gás natural no país. Em 2008, o preço do gás brasileiro era de US$ 11,6 o milhão de BTU, abaixo dos US$ 17,4 cobrados no Chile, mas muito além dos US$ 7,94 dos Estados Unidos.


Embora o preço tenha caído de lá para cá, a diferença ainda persiste. Em janeiro de 2011, o preço do milhão de BTU no Brasil era cotado a US$ 10,84 contra US$ 5,54 nos Estados Unidos, valor que não contabiliza a margem das distribuidoras. Graças à indexação ao preço do petróleo, a A Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) projeta um reajuste de 10% para o preço do gás já em maio.


Graças à escalada nos preços, a participação do gás natural na matriz energética do setor industrial recuou em 2009 para 9,3%, ante 10,3% registrado no ano anterior. Foi a maior queda desde 1970, início da série histórica do Balanço Energético Nacional. “Hoje não conseguimos enxergar o funcionamento do mercado, graças às restrições na oferta, no transporte e na distribuição” afirma Paulo Pedrosa, presidente da Abrace.


Uma das dificuldades apontadas por especialistas do setor é o modelo atual do mercado, que estimula o uso das termelétricas. “Isso de certa forma incorpora ao segmento de gás uma insegurança advinda do setor elétrico”, diz Pedrosa. Segundo ele, ao longo do tempo, essa insegurança poderia ser reduzida na medida em que se criasse uma maior sinergia entre os setores elétrico e de gás. além de maior participação dos consumidores nas decisões tomadas pelo mercado.


Para o professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Edmilson Moutinho dos Santos, esse modelo calcado nas termelétricas dificulta também a formação de um verdadeiro mercado de gás no país, principalmente porque reduz a oferta de contratos de longo prazo para os consumidores industriais. “O mercado de gás cresceu, mas não digo que isso é um mercado de gás.


O gás está sendo usado para alimentar o setor elétrico”, afirma. Isso, diz, inviabiliza a melhor utilização do combustível, que é no processo industrial. “O gás tem vantagens operacionais porque é mais eficiente no uso industrial do que como simples fonte de energia elétrica”, explica.


Mercado Internacional


O preço do gás brasileiro, na casa dos US$ 11 o milhão de BTU, só perde para o praticado no Chile, que custa US$ 17,4.


Nos Estados Unidos, onde o uso do gás como fonte de energia está crescendo, o milhão de BTU custa cerca de US$ 5,54


Devido à pouca competitividade do setor, estima-se que a Petrobras anuncie reajuste de 10% no gás em maio.


No Brasil, o recurso é usado para abastecer o setor elétrico, quando deveria ser mais bem aproveitado no processo industrial.


FONTE: Brasil Econômico

Gás deveria cair 26% para indústria ser competitiva, diz estudo

BRASÍLIA - O preço do gás natural (GN) vendido pelas distribuidoras no Brasil precisa baixar 26% para garantir a competitividade das indústrias nacionais altamente dependentes do insumo. A estimativa é apontada pelo “Estudo de Competitividade das Indústrias – Projeção do Preço do Gás Natural 2010-2020”, da consultoria Andrade & Canellas.

A perspectiva apresentada toma como referência a pequena variação do preço do gás importado da Bolívia e a queda significativa do GN nacional, a partir de medidas propostas ao governo para aplicação nos próximos anos. Se tais medidas fossem adotadas, o preço do gás de produção nacional poderia cair de US$ 12,29 por MMBtu, em 2010, para US$ 8,88 por MMBtu, em 2013, o que afetaria diretamente o custo do insumo para a indústria.


O estudo faz parte da proposta desenvolvida pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), inserida no Projeto Energia Competitiva (PEC). As análises voltadas especialmente para o segmento de gás natural serão apresentadas em um dos painéis do evento II Enerlivre, que acontece a partir de amanhã em Brasília.


Leia a íntegra no Valor Econômico aqui ou no site da Abrace

Jorge Gerdau fala sobre energia competitiva

Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau e membro fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC) fará palestra nesta terça, no painel do Enerlivre 2011. Guerdau falará sobre a busca de um modelo que favoreça a continuidade e a ampliação de investimentos das cadeias produtivas de energia. No mesmo painel estarão o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, e o senador Delcídio Amaral, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. O evento é promovido pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). De acordo com a associação, o custo da energia para esse setor, cujas indústrias consomem um terço de toda a energia produzida no país, sofreu um aumento de 100% nos últimos 10 anos. Esse aumento mais os encargos setoriais que somente no ano passado custaram R$ 17 bilhões para todos os consumidores, minam a competitividade da indústria. Os números impactam em desindustrialização, empregos e novos investimentos. O Enerlivre 2011 acontece nesta terça e quarta. O objetivo é debater propostas para o fortalecimento do mercado livre de energia elétrica e o desenvolvimento do mercado livre de gás natural. Da Coluna Guilherme Barros

Enerlivre 2011 começa nesta terça. setor produtivo quer melhorar discussão sobre energia com governo

A criação de canais efetivos de maior relacionamento entre os setores produtivo e privado com o Governo Federal e o Congresso, além da criação de uma agenda positiva entre as partes com o objetivo de evoluir na questão da oferta de energia a um custo competitivo são os temas dos painéis de abertura do II Enerlivre – Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado Livre de Contratação de Energia, que acontece entre os dias 12 e 13 de abril em Brasília.


Promovido pela Abrace – Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, os painéis terão a participação dos principais representantes da indústria (CNI, Abal, Abiclor, Abividro entre outros) e do governo, além de parlamentares.

O II Enerlivre contempla ainda rodada de negócios e diversos workshops. Durante o evento será discutida os termos da Carta de Brasília que coloca a energia com um dos fatores de competitividade para o Brasil. Os organizadores também vão buscar ampliar ainda mais a adesão ao manifesto contra a manutenção da Reserva Geral de Reversão (RGR), encargo que custa R$ 2,5 bilhões aos consumidores, prevista para ser extinta em dezembro passado, que o governo quer prorrogar até 2035.

Conheça mais detalhes do evento que acontece no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Conjunto A, em Brasília, entre os dias 12 e 13 de abril no http://www.metodoeventos.com.br/enerlivre2011/

Propostas - As grandes indústrias que consomem mais de um terço da energia gerada perdem competitividade por conta dos altos encargos embutidos na conta. Estudos com recomendações para reverter essa situação e ainda melhorar a economia serão apresentados. Um deles projeta aumento de R$ 695 bilhões no PIB caso se adotem medidas voltadas à energia competitiva.


Ainda sobre a questão do custo de energia e seus impactos na indústria energointensiva, haverá, dia 13, às 8h45, painel específico para discutir um modelo que favoreça a continuidade e a ampliação de investimentos desse segmento. Vão liderar este painel Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau e membro fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC), o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e o senador Delcídio Amaral, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.


Para discutir a gestão de risco da contratação de energia em um cenário de expansão da oferta a partir de diversas fontes, o II Enerlivre vai reunir, entre outros, Nelson Hubner, diretor geral da Agência Nacional de energia Elétrica (ANEEL), João Carlos de Oliveira Mello, presidente da consultoria especializada Andrade & Canellas e Sérgio Granville, da PSR Consultoria.


O gás natural também está contemplado no II Enerlivre. Um painel específico vai debater a expansão da oferta desse insumo e tratar das contribuições para esse novo cenário. As discussões ficarão a cargo de Symone Christine de Santana Araújo, diretora nacional do Departamento de gás Natural do MME e Zevi Kann, da Arcesp, a agência reguladora de energia do Estado de São Paulo.

8 de abril de 2011

Parceiros do PEC no Enerlivre II - Abividro discutirá a expansão da oferta do gás

A Abividro - Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro, vai participar do Enerlivre 2011 – II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado Livre de Contratação de Energia – que acontece nos dias 12 e 13 em Brasília. Lucien Belmonte, superintendente da associação, participa do painel sobre a expansão da oferta do gás natural.

O Enerlivre 2011 é promovido pela Abrace – Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres – e tem como objetivo debater propostas para o fortalecimento do mercado livre de energia elétrica e o desenvolvimento do mercado livre de gás natural.

Também visa promover discussões sobre os estudos do Projeto Energia Competitiva (PEC), do qual a Abividro é signatária, e fomentar um ambiente de networking e negócios entre consumidores e ofertantes de energia. Além dele, já estão confirmadas as presenças de Zevi Kann, diretor técnico de gás da Arsesp (agência reguladora do estado de São Paulo) e Symone Christine de Santana Araújo, diretora nacional do Departamento de Gás Natural do Ministério das Minas e energia.

O Enerlivre 2011 contempla ainda rodada de negócios e diversos workshops. Conheça mais detalhes do evento que acontece no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Conjunto A, em Brasília no http://www.metodoeventos.com.br/enerlivre2011/

Parceiros do PEC no Enerlivre I - Diretor da Abiclor discute agenda positiva com o Congresso

A Abiclor- Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados, vai participar do Enerlivre 2011 – II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado Livre de Contratação de Energia – que acontece nos dias 12 e 13 em Brasília.

Martim Afonso Penna, diretor executivo da associação participa do painel Energia e Competitividade, que vai discutir formas de ampliar a agenda positiva do setor produtivo com o Congresso Nacional. O Enerlivre 2011 é promovido pela Abrace – Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres – e tem como objetivo debater propostas para o fortalecimento do mercado livre de energia elétrica e o desenvolvimento do mercado livre de gás natural.

Também visa promover discussões sobre os estudos do Projeto Energia Competitiva (PEC), do qual a Abiclor é signatária, e fomentar um ambiente de networking e negócios entre consumidores e ofertantes de energia. A presença da Abiclor no Enerlivre 2011 é importante, pois o segmento de cloro-soda é dos mais afetados com tarifas e os altos encargos incidentes no preço da energia, já que a eletricidade representa até 45% do custo industrial do setor de clor-soda.

Para Martim Pena, a otimizar a agenda positiva entre o setor produtivo e o Congresso é fundamental. “Queremos sugerir aos legisladores alternativas que desonerem a energia e devolvam a competitividade à indústria. Com isso toda a sociedade sai beneficiada”, afirma. Além dele, participarão do painel a senadora Lúcia Vânia, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, os deputados Arnaldo Jardim e João Maia. O primeiro integra a da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados e o segundo é presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.

Também estarão presentes Érico Sommer, presidente do conselho diretor da Abrace, Luiz Viana, da Apine (produtores independentes de energia) e Reginaldo Medeiros, da Abraceel (comercializadores de energia). O II Enerlivre contempla ainda rodada de negócios e diversos workshops. Conheça mais detalhes do evento que acontece no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Conjunto A, em Brasília no http://www.metodoeventos.com.br/enerlivre2011/

7 de abril de 2011

Enerlivre 2011 debate desafios e contribuições do mercado livre e energia competitiva

A criação de canais efetivos de maior relacionamento entre os setores produtivo e privado com o Governo Federal e o Congresso, além da criação de uma agenda positiva entre as partes com o objetivo de evoluir na questão da oferta de energia a um custo competitivo são os temas dos painéis de abertura do II Enerlivre – Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado Livre de Contratação de Energia, que acontece entre os dias 11 e 13 de abril em Brasília.

Promovido pela Abrace – Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, os painéis terão a participação dos principais representantes da indústria (CNI, Abal, Abiclor entre outros) e do governo, além de parlamentares.

As grandes indústrias que consomem mais de um terço da energia gerada perdem competitividade por conta dos altos encargos embutidos na conta. Estudos com recomendações para reverter essa situação e ainda melhorar a economia serão apresentados. Um deles projeta aumento de R$ 695 bilhões no PIB caso se adotem medidas voltadas à energia competitiva. Ainda sobre a questão do custo de energia e seus impactos na indústria energointensiva, haverá painel específico para discutir um modelo que favoreça a continuidade e a ampliação de investimentos desse segmento.

Além de Jorge Gerdau, presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau e membro fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC), no mesmo painel estarão o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e o senador Delcídio Amaral, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.

Já para falar sobre as contribuições para uma agenda competitiva no ambiente de contratação livre, estarão presentes Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace, Hermes Chipp, diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Antonio Carlos Fraga Machado, presidente do conselho da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Reginaldo Medeiros, da Abraceel, que representa as concessionárias de energia elétrica, e Luiz Fernando Vianna, da Apine. Para discutir a gestão de risco da contratação de energia em um cenário de expansão da oferta a partir de diversas fontes, o II Enerlivre vai reunir, entre outros, Nelson Hubner, diretor geral da Agência Nacional de energia Elétrica (ANEEL), João Carlos de Oliveira Mello, presidente da consultoria especializada Andrade & Canellas e Sérgio Granville, da PSR Consultoria.

O gás natural também está contemplado no II Enerlivre. Um painel específico vai debater a expansão da oferta desse insumo e tratar das contribuições para esse novo cenário. As discussões ficarão a cargo de Symone Christine de Santana Araújo, diretora nacional do Departamento de gás Natural do MME e Zevi Kann, da Arcesp, a agência reguladora de energia do Estado de São Paulo.

O II Enerlivre contempla ainda rodada de negócios e diversos workshops. Conheça mais detalhes do evento que acontece no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 - Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Conjunto A, em Brasília, entre os dias 11 e 13 de abril no http://www.metodoeventos.com.br/enerlivre2011/

ABRACE apóia manifesto contra a RGR

Documento já conta com apoio de várias associações setoriais e empresas preocupadas com peso dos encargos sobre os custos da energia

Em seus esforços para garantir a disponibilidade de energia em condições mais competitivas à indústria brasileira, a ABRACE está participando do lançamento do Manifesto Contra a Reserva Global de Reversão (RGR). O documento mostra a importância da extinção do encargo, como previsto na legislação. O texto até agora já tem o apoio das demais associações do Projeto Energia Competitiva (PEC), além da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Associação Brasileira de Geração Flexível (Abragef), Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica. A expectativa é que as empresas associadas a essas entidades também assinem o manifesto.

O manifesto utiliza a internet para divulgar a insatisfação e o descontentamento da sociedade diante da iminência de o Congresso Nacional aprovar a prorrogação do encargo. O site do manifesto – http://www.bastadergr.com.br/ – permite a adesão de empresas e associações, bem como o encaminhamento do documento para parlamentares, reforçando a preocupação dos consumidores com o tema.

5 de abril de 2011

Enerlivre vai reforçar manifesto contra RGR

A ABRACE (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres) realiza na próxima semana, entre os dias 11 e 13 de abril, em Brasília, o II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia (Enerlivre 2011).

O evento tem como objetivo debater propostas para o fortalecimento do mercado livre de energia elétrica e o desenvolvimento do mercado livre de gás natural. Também vai promover discussões sobre os estudos do Projeto Energia Competitiva (PEC) e fomentar um ambiente de networking e negócios entre consumidores e ofertantes de energia.

Além de entidades que representam os interesses da indústria e associadas, já confirmaram presença o ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, a secretária Heloísa Guimarães, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Manifesto - Durante o evento, será discutido o Manifesto pelo fim da RGR (Reserva Global de Reversão) e pela Competitividade da Energia. O encargo que custa mais de R$ 2 bilhões por ano de todos os consumidores brasileiros (considerando os tributos incidentes sobre ele), existe há 54 anos e estava previsto para terminar no último dia 31 de dezembro. Entretanto, tramita no congresso medida provisória que prorroga sua cobrança por mais 25 anos, até 2035.

A cobrança da RGR iniciou-se em 1957 e tinha como finalidade a constituição de um fundo para cobertura de gastos da União com indenizações de eventuais reversões de concessões do serviço de energia elétrica. Após várias renovações do prazo de cobrança do encargo, os recursos do fundo nunca foram utilizados para a finalidade inicial. No entender da Abrace, a extinção da RGR é fundamental para todos os consumidores de energia.

A mudança reduziria os custos dos pequenos consumidores, garantindo-lhes melhores condições de pagamento de suas contas. Ao mesmo tempo, permitiria à indústria uma melhoria na sua competitividade no que se refere à energia, com efeitos positivos para toda a sociedade. “A proposta de renovação da RGR destoa das preocupações demonstradas pela presidente Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral a respeito da modicidade tarifária e com a competitividade do país.

Esse caminho só poderá ser alcançado com a desoneração da energia e a reversão da lógica perversa que colocou as contas de luz dos consumidores brasileiros entre as mais altas do mundo”, afirma o presidente-executivo da ABRACE, Paulo Pedrosa.

Serviço:

Enerlivre 2011 - II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia

Data: 11 (Cerimônia de abertura), 12 e 13 de abril de 2011

Local: Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Conjunto A – Brasília Mais informações: www.metodoeventos.com.br/enerlivre2011/

4 de abril de 2011

PEC é destaque na revista Conjuntura Econômica

Estudo realizado pela FGV Projetos com a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) indica que a redução ou eliminação de encargos, juntamente a fatores como a queda do preço de renovação da energia já existente no sistema, poderiam acrescer 0,92% no PIB de 2009-2020, ou R$ 540 bilhões. Isso resultaria em uma renda per capita de R$ 29,3 mil, além de um aumento das exportações, pela maior competitividade de nossos produtos.


Outro entrave, ainda não equacionado, é o futuro das concessões vigentes no setor elétrico que vencerão a partir de 2015. À insegurança quanto à capacidade de abastecimento demandada por um crescimento mais vigoroso da economia, à disputa por cargos no comando das principais estatais e a apagões no Nordeste e blecautes nos grandes centros, foi acrescida a incerteza sobre o que o governo federal fará com os contratos com prazo de vencimento. E enquanto não houver uma posição clara sobre as concessões, as empresas serão cautelosas em seus projetos.


Leia mais na revista Conjuntura Econômica

A produção brasileira marcha para o exterior

José Roberto Mendonça de Barros - O Estado de S.Paulo (4/4/2011)
Encerrei há um mês minha coluna dizendo que é possível que em alguns semestres a inflação brasileira caminhe para o centro da meta (4.5%). Entretanto, isto só acontecerá se for precedida por uma política monetária e fiscal mais robusta, e ainda assim o tempo para convergência será mais longo do que o admitido pelas autoridades.

Entretanto, imaginemos que a convergência ocorra em algum momento. Aí então a economia poderá crescer mais de 6% ao ano, sem desequilíbrios, certo?

Errado, a meu ver. O Brasil não consegue crescer mais que 4-4.5% sem gerar desequilíbrios como a alta da inflação, como já ocorreu em 2004, em 2008 e tal como agora. Além do baixo nível de poupança, decorrente mais do que tudo do excessivo gasto corrente do governo, o sistema de produção, e especialmente a indústria, está perdendo firme e rapidamente sua capacidade competitiva, por crescentes pressões de custo que só parecem piorar com o tempo. O Brasil se transformou num país caro e difícil para se produzir, especialmente quando medido em dólar. A pesquisa Doing Business do Banco Mundial mostra as crescentes dificuldades de se produzir no Brasil.

Já mencionei neste espaço mais de uma vez as principais razões da perda sistêmica de competitividade, exposta pelo real valorizado. Os custos sobem em virtude de:

1- uma contínua elevação da carga tributária, fortemente baseada em impostos indiretos. A maior parte dos setores paga algo da ordem de 40% do valor adicionado, chegando mesmo a 40% do preço final do bem. O sistema não é de valor adicionado e os créditos de impostos não são recuperados; a guerra fiscal entre estados gera distorções e custos malucos; mesmo impostos regulatórios, como os de comércio exterior e o IOF, acabam por ser geradores de receita; os custos parafiscais são enormes.

2- gastamos em logística mais que nossos principais competidores (pelo menos 50%), para serviços medíocres.

3- os custos de energia não param de subir. Morro de rir quando autoridades falam de modicidade tarifária. Nossa indústria tem uma das energias mais caras do mundo e vai subir ainda mais, tanto pela elevação dos adicionais à tarifa (CCC, RGR), quanto pela crescente importância da energia térmica, muito mais cara.

4- a oferta de mão de obra secou, os custos estão explodindo e vão subir ainda mais, pois a demanda anda muito adiante da formação de pessoal. Calculamos na MB que o salário real inicial (Caged), acumulado nos últimos 12 meses até janeiro de 2011, subiu quase 11% no comércio, 6,6% na indústria e 6% na construção civil.

5- a regulação no Brasil é, em geral, excessivamente detalhista, causa muitas vezes custos desnecessários para as empresas e se altera com frequência, inclusive modificando contratos em vigor. Também estamos longe de conciliar a construção de novos projetos e a defesa do meio ambiente. Isto vale para as três esferas de governo.

6- o setor público vem perdendo eficiência, por seu gigantismo, pelo aparelhamento e excesso de patriotismo da direção das organizações. Cito três problemas visíveis a olho nu: Correios, Infraero e Eletrobrás. Esta última empresa ambiciona ser a Petrobrás do setor elétrico, o que seria risível se não fosse trágico, dada sua baixa geração de caixa e a má qualidade dos investimentos.

7- finalmente, o real está claramente valorizado.

A elevação dos custos, decorrentes dos fatores acima mencionados, poderia ser superada com um conjunto de reformas de alguma envergadura. Nada mais distante da realidade, antes de tudo porque o gigantismo do estado, a ampliação do contingente de funcionários, a criação de novas empresas, a má qualidade da gestão e outras coisas mais não são casuais. Ao contrário, resultam da visão de mundo e da forma de operar da coalizão que detém o poder. Gasto é poder e isto exige dinheiro, o que nos leva aos crescentes impostos.

Como resultado deste processo, a produção de bens no Brasil (agricultura e indústria) rachou em dois pedaços, e ambos procuram o exterior. De um lado temos as cadeias de recursos naturais (agronegócio, minérios e metais, petróleo), setores tornados competitivos pela sistemática aplicação de tecnologia na produção e pela forte demanda internacional, atual e futura, por alimentos e energia. Estes setores crescem muito baseado nas exportações, onde as altas cotações compensam os custos brasileiros. Entretanto, mesmo aqui se notam dificuldades: por exemplo, não existe nenhum projeto novo de alumínio viável no Brasil, dado o elevado custo da energia elétrica. O país vai produzir e exportar bauxita e alumina, e nada mais. O mesmo acontece com outros metais.

O remanescente da indústria, como se sabe, vem perdendo a competição internacional e é cada vez mais espremida no mercado local pelas importações mais baratas. A saída clássica para situações como esta passa por inovações, maior produtividade e menores custos. Ora, os estudos mostram que, com poucas exceções, nossa indústria não é particularmente inovadora e sua produtividade total não vem crescendo muito. Logo, só existe uma solução para se manter competitivo: elevar as importações, e não brigar contra elas. Partes, peças, conjuntos, matérias primas e até produtos finais passaram a vir do exterior. Minha percepção, corroborada por executivos da área de crédito e por industriais, é que este processo ganhou enorme vigor no ano passado e está apenas no começo. É por isto que a produção industrial não cresce; o que cresce mesmo são as importações.

Existe mesmo uma versão radical do descrito acima: conheço vários casos onde se estuda e investe em novos destinos (Uruguai, Paraguai, Peru, Colômbia, Caribe, México e outros), uma vez que países como Argentina e China se mostram muito difíceis de operar. Nestes novos locais atraem os impostos, a energia e o custo da mão de obra mais baixos. A produção visa atender o mercado mundial, inclusive o Brasil. Em resumo, a produção de bens caminha para o exterior: nos setores competitivos o coeficiente de exportações vai seguir crescendo (o que é bom); nos setores menos competitivos o coeficiente de importações vai seguir crescendo (o que não necessariamente é bom).

Existe também outro movimento: muitos empresários estão migrando da indústria para a área de serviços. Esta não tem, em geral, concorrentes importados baratos (o turismo é uma das exceções) e é menos regulado. O próprio IPCA mostra esta dinâmica: bens de consumo duráveis têm quedas absolutas de preços enquanto os serviços caminham para crescer mais de 9% neste ano.

Finalmente, não se muda isto em pouco tempo. Reformas pontuais pouco alteram o conjunto, menos ainda a escolha de campeões nacionais. Como mostra o caso do recente crescimento alemão, a recuperação da competitividade resulta de um esforço nacional. Para a indústria o ambiente vai piorar antes de melhorar; para as commodities e serviços as oportunidades compensam as ineficiências. O resultado é um crescimento de 4,0%.

1 de abril de 2011

Enerlivre 2011 debate os desafios do mercado livre de energia

Evento também apresentará propostas da indústria por preços de
energia mais competitivos

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), em parceria com a Método Eventos de Energia, promove, nos dias 12 e 13 de abril, em Brasília, o II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia (Enerlivre 2011).

Segundo os organizadores, evento tem como objetivo debater propostas para o fortalecimento do mercado livre de energia elétrica e o desenvolvimento do mercado livre de gás natural. Também visa promover discussões sobre os estudos do Projeto Energia Competitiva (PEC) e fomentar um ambiente de relacionamento e negócios entre consumidores e ofertantes de energia.

Serviço:

Enerlivre 2011 - II Encontro de Negócios entre Agentes do Mercado de Livre Contratação de Energia

Local: Centro de Eventos e Convenções Brasil 21 Setor Hoteleiro Sul, Quadra 6, Conjunto A – Brasília

Mais informações e inscrições aqui