6 de janeiro de 2011

ESS deve atingir R$ 1,7 bilhão. Só em dezembro, R$ 236 milhões

O Encargo de Serviços do Sistema (ESS) deve atingir cerca de R$ 236 milhões no mês de dezembro de 2010, de acordo com estimativas da ABRACE (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres). O valor é mais de três vezes superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior (RS$ 68,3 milhões). Caso as estimativas da ABRACE se confirmem, o volume de ESS no ano deve totalizar R$ 1,7 bilhão.

"A indústria vê com grande preocupação o crescimento dos encargos incidentes sobre a energia", alerta o presidente-executivo da ABRACE, Paulo Pedrosa. Para ele, a redução desses montantes – que devem atingir o recorde de cerca de R$ 17 bilhões no ano de 2010 – seria uma das principais formas de reduzir o custo da energia no país. "Atualmente, o custo da energia usada pela indústria brasileira está entre os mais altos do mundo, o que compromete nossa competitividade no mercado global", completa.

O aumento do ESS reflete principalmente o crescimento dos custos adicionais dos consumidores com a segurança do sistema elétrico. “Os consumidores pagam cada vez mais pela segurança, primeiro em seus contratos de energia, em seguida por meio da contratação de energia de reserva e também devido ao despacho de térmicas, por meio do ESS", afirma. Na avaliação da ABRACE, o encargo – hoje pago apenas pelos consumidores – deveria ser dividido entre todos os agentes do setor, já que todos são beneficiados pelo aumento de segurança.

De acordo com informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o aumento da temperatura no início do mês de dezembro exigiu o despacho fora da ordem de mérito de mais de 3 mil MW médios de térmicas para garantir disponibilidade de oferta de carga média e pesada de maneira instantânea, contribuindo para a cobrança da fatia do encargo para garantir a segurança energética. Os problemas na linha de transmissão que interliga os estados de Acre e Rondônia ao Sistema Interligado Nacional (SIN) também continuam contribuindo para o aumento do ESS. Isso porque, para garantir o abastecimento naqueles estados, as usinas TermoNorte I e II, em Rondônia, têm sido despachadas. “Até quando os consumidores terão de pagar por essa situação?”, questiona Pedrosa, acrescentando que a expectativa é que o novo governo consiga solucionar o problema.

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